Archive for the ‘Cotidiano’ Category

Gostar do trabalho vs Só trabalhar no que gosta! (*)

I love my job

Confúcio diz “Escolha um trabalho que você ame e não terá de trabalhar um único dia de sua vida”, e eu acredito muito que devemos procurar atuar na área que nos é mais afim, pois assim produziremos mais, com maior qualidade, e para fazermos bem essa escolha o autoconhecimento é fundamental!

Quando aprofundamos no autoconhecimento sabemos onde nos diferenciamos, onde estão nossos potenciais, nossas fortalezas, e os pontos que precisamos desenvolver, e podemos inclusive buscar uma atividade que estimule esse desenvolvimento, ou que tire partido das nossas capacidades.

Creio também que, podemos direcionar nossa carreira para atividades que tenham a ver com nosso perfil, com nossos anseios, nosso momento de vida, nossos interesses, etc.

Entretanto, existe uma tendência que observo nas redes sociais, nas sessões de coaching, nas conversas com amigos, onde as pessoas estão frequentemente insatisfeitas com seu trabalho, pois se vêem obrigadas a fazer coisas que não gostam!

E, quando mergulhamos mais fundo nesta questão, descobrimos que na verdade a maioria das pessoas gostam do que faz, mas não 100% do tempo! E é justamente isso que precisamos repensar!

Será que existe alguma atividade que seja prazerosa 100% do tempo? Será que quando estamos desgostosos do nosso trabalho, não pode ser porque estamos cansados e precisando de férias? Será que a percepção ruim que temos do trabalho não pode ser uma visão equivocada ou até limitada?

Pois, desde que temos um pouco de consciência, em nenhuma atividade que desempenhamos na vida só obtivemos prazer!

Quando pequenos estudantes, temos aulas daquelas matérias que nos encantam, mas também precisamos nos dedicar a outras não tão prazerosas, isso sem contar nas provas que sempre são momentos tensos!

Essa dinâmica se estende por todo o nosso período escolar, inclusive na faculdade! Por mais que seja um curso que você escolheu, isso não significa que todas as disciplinas o encantem!

E quando chegamos no mundo corporativo acreditamos que tudo deva ser diferente? Não seria essa uma visão romântica, utópica ou imatura? Ou talvez, uma combinação de todas as opções?

Comecei a trabalhar muito cedo, e sempre gostei muito de trabalhar, mas nem tudo que fiz até hoje me deu absoluto prazer!

Quando trabalhava no mundo corporativo, várias vezes tive que conviver com clientes difíceis, participar de reuniões improdutivas, projetos complicados, preencher relatórios de despesas, e outras atividades! Mas, entendia que isso era o chamado “ossos do ofício”, ou seja, nem tudo eram flores, tinham alguns espinhos pelo caminho!

Portanto, acredito que precisamos fazer uma diferenciação entre aquele trabalho que tem uma parcela da qual não gostamos ou não nos dá prazer, daquele trabalho onde a satisfação é esporádica e efêmera.

Se não soubermos fazer essa análise com cuidado, cairemos na vala comum de acharmos que precisamos trocar de emprego, sempre na ânsia de buscarmos algo que nos dê mais prazer, mas depois de 2 ou 3 meses cairemos na mesma situação, e ficaremos nesse ciclo vicioso.

Um bom exercício é pensar o que você faz bem, o que te dá orgulho em fazer, o que faz o seu olho brilhar, em seguida avalie se seu trabalho atual lhe dá espaço para realizar essas atividades.

Caso não dê, vale uma segunda etapa nessa análise, o que você pode fazer para buscar isso na sua atual função ou empresa?

As empresas hoje, na sua maioria, permitem a seus funcionários uma mobilidade interna muito interessante, e antes de irmos para o mercado de trabalho precisamos esgotar as capacidades internas, pois lá as pessoas já conhecem o nosso trabalho, sobretudo se isso implicar numa mudança de carreira, pois nada melhor do que trocarmos de área onde já somos reconhecidos, e falo isso por experiência própria!

Enfim, reflita e seja feliz com suas escolhas, sejam elas quais forem!

(*) Este texto foi publicado na revista Líder Coach – edição de novembro/15.(REVISTA LÍDER COACH Revista Líder Coach NOVEMBRO DE 2015 #11)

 

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Carreira & Redes Sociais (*)

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Em geral, temos muita preocupação com a nossa carreira, queremos progredir, ter mais responsabilidades, mais autonomia, ser mais respeitado no mercado, crescer em todos os sentidos, seja no organograma da empresa, como também, na conta bancária.

Enquanto estamos em posições mais técnicas, é comum contarmos com nossos gestores para nos orientar onde devemos ir, quais habilidades/competências precisamos desenvolver, e gostamos de saber que temos um caminho interessante e motivador a percorrer dentro da organização ou no mercado de trabalho.

Mas, mesmo contando com a ajuda do gestor, penso que não podemos delegar a ninguém a gestão da nossa carreira, pois o nome já diz, é a “nossa” carreira!

É necessário ser protagonista da própria carreira, e isso implica em ser pró-ativo, buscar novos conhecimentos e desafios, pois nenhum gestor promove alguém por fazer sempre a mesma coisa, por melhor que seja o desempenho. Ou se queremos trocar de emprego, o mercado precisa nos conhecer e valorizar o nosso trabalho!

E nesta trajetória é importante considerar várias ferramentas, e entre elas estão as redes sociais. Mas, como toda ferramenta, as redes sociais também precisam ser bem utilizadas, pois podem nos favorecer ou denegrir nossa imagem.

Neste ponto você pode estar pensando que este tema não é para você, pois já tem uma carreira sólida, mais alguns anos irá se aposentar, e com os recursos que dispõe poderá se dedicar a outras atividades, já alcançou tudo que queria, e não quer ou não tem mais para onde progredir na carreira. Em parte pode ter razão mesmo, mas acredito que nosso papel como líder transcende aos nossos interesses individuais, pois somos espelho para muitas pessoas, e não podemos ser um espelho oxidado ou opaco.

Se observarmos, encontraremos inúmeros executivos e líderes que, se quisessem, poderiam sair de cena, ou como se diz no futebol, pendurar suas chuteiras! Mas, ao contrário, são atuantes, compartilham suas experiências, são formadores de opinião! Eu acompanho vários desses executivos nas redes sociais, e aprendo muito com eles.

E, já que falei em “aprender”, vamos falar um pouco sobre como podemos utilizar melhor, e de forma mais prazeirosa as redes sociais disponíveis.

E quais redes são essas a que me refiro? Qual a relevância de cada uma delas? Quais são as formas de tirarmos partido desses canais?

A primeira máxima que não podemos esquecer quando se trata de rede social é que tudo que escrevemos, compartilhamos ou comentamos ajuda a definir quem somos. Portanto, cuidado com o que faz! E não existe diferença entre sua vida privada e sua vida profissional, segundo a Jobvite Plataforma de Recrutamento, 96% dos recrutadores e departamentos de RH utilizam as redes sociais para buscar ou analisar melhor os candidatos, sendo que 87% usam o Linkedin, 55% o Facebook e 47% o Twitter.

Outra informação relevante da Jobvite é que, 54% dos recrutadores mudaram de ideia sobre uma candidato com base em algo que viram em seu perfil nas redes sociais.

Os pontos que mais influenciaram negativamente nessa mudança foram: apologia ao uso de drogas ou álcool, erros gramaticais ou na escrita, citações vulgares ou com conotação sexual. E, se você trabalha ou quer trabalhar nas áreas de comunicação e marketing, a inexistência de perfis nas redes sociais também conta como um ponto negativo a seu respeito.

Por outro lado, as redes sociais podem ajudá-lo a ganhar posições significativas com os recrutadores, e os principais pontos positivos são: compartilhamento de serviços voluntários ou a respeito do seu próprio trabalho/equipe, e engajamento em campanhas nas redes sociais.

Sabemos também que, ter uma equipe excelente é um fator importante para conseguirmos evoluir na carreira, e neste ponto as redes sociais podem contribuir. Pois, para atrair bons candidatos é importante que a sua empresa tenha uma presença relevante nas redes sociais, pois 74% dos candidatos consideram este quesito no momento de avaliar uma proposta ou de buscar uma nova oportunidade de emprego.

Enfim, precisamos nos conscientizar que as redes sociais estão aí e vieram para ficar, e precisamos entrar e usufruir dessa vitrine, mas assim como uma vitrine de loja, precisamos ter cuidado com o que fazemos pois tudo se torna público no momento que publicamos qualquer coisa, para o bem ou para o mal!

Mas, podemos fazer tudo isso de forma divertida e tirando proveito, um ponto interessante é explorar o que cada uma dessas redes pode nos oferecer, como por exemplo, o LinkedIn!

A princípio acreditamos se tratar apenas uma rede social para publicarmos nosso currículo, mas ela é muito mais do que isso! É uma rede onde podemos estabelecer contatos importantes, podemos publicar (sugiro que sejam pequenos textos) a respeito do nosso trabalho ou no nosso expertise, participar de grupos de discussão, seguir empresas que nos interessam, cadastrar um perfil de vaga que temos interesse em conquistar e seremos avisados quando surgir algo, enfim, existem inúmeras formar de explorar e tirar proveito do Linkedin.

No Facebook podemos ter também um mini-currículo, nos conectar com pessoas relevantes, criar ou fazer parte de grupos, seguir empresas ou personalidades que temos interesse. E tem também o twitter, sobre o qual escrevi a respeito na edição anterior da revista.

Existem várias outras redes, mas concentrei nas três mais relevantes para os recrutadores.

E, por último, gostaria de falar que precisamos ter constância e disciplina na medida certa no acesso às redes sociais, não podemos desaparecer, nem tampouco ficar ligado o tempo todo, senão nossa produtividade ficará comprometida! Boas postagens para vocês!

(*) Este texto foi publicado na revista Lider Coach do mês de outubro/2015, caso tenha interesse em ler a revista é só clicar aqui 

 

Tipos Psicológicos – Sensação ou Intuição

Medo Concreto, Amor Abstrato

Inspiração ou realização? O que fascina mais? O que é mais relevante? Sabemos que o mundo precisa dos dois, mas com qual deles nos sentimos mais à vontade? Se você é coach, como identificar com qual delas o seu coachee mais se parece? A resposta para essas perguntas pode estar relacionada com o tipo psicológico, entender essa preferência pode abrir caminhos importantes seja para nosso autoconhecimento ou para entender nossos coachees, e esse entendimento pode ser determinante na condução e no resultado do coaching.

Na edição 8(janeiro/14) escrevi uma visão geral sobre a teoria de tipos criada pelo psiquiatra suiço Carl Gustav Jung(1875-1961), que é composta por quatro pares de opostos:

–       Foco de Energia – determinado pela extroversão(E) quando o foco é no mundo externo, e pela introversão(I) quando o foco é no mundo interior(este tema foi descrito na edição 10 – março/14)

–       Funções Psíquicas de Percepção – determinam a forma como coletamos informações do mundo ao nosso redor, e pode ser através da sensação(S) ou da intuição(N) (serão descritas a seguir);

–       Funções Psíquicas de Julgamento – referente à forma como tomamos decisão, se através do pensamento(T) ou do sentimento(F) (serão detalhadas na próxima edição(maio/14);

–       Estilo de Vida – determina qual é a função dominante, e pode ser identificado pelo julgamento(J) ou pela percepção(P) (serão detalhados na edição 13(junho/14);

O tipo psicológico contem as quatro funções psíquicas(S-N e F-T), entretanto, com pesos distintos de acordo com a frequência de atuação, identificadas como função principal, auxiliar, terciária e inferior.

A determinação do tipo psicológico é feita pela composição das duas funções mais desenvolvidas, ou seja, a principal e a auxiliar. Se a função principal é uma função de “percepção” (S ou N), a função auxiliar será de julgamento (T ou F) e vice-versa. A função principal carrega em si o foco de atitude, se extrovertido ou introvertido.

As funções terciária e inferior são funções pouco desenvolvidas. A terciária é o oposto da função auxiliar e a inferior é oposta à função principal. Por exemplo, se a função principal é pensamento, a função inferior será sentimento.

Segundo Jung, a função inferior representa a “sombra”, o lado não desenvolvido. Embora seja a função menos familiar, merece destaque porque atua quando estamos estressados ou cansados. Nesses momentos podemos agir de modo irreconhecível e causar estragos. Justamente por isso, é importante trabalhar essa função.

Essas combinações determinam os 16 tipos psicológicos. Cada tipologia possui suas preferências, com potencialidades e fortalezas, mas também, pontos a serem desenvolvidos.

Um dos propósitos da compreensão da tipologia, sua ou do seu coachee, é desenvolver um melhor equilíbrio entre as quatro funções, mas vale lembrar que o tipo psicológico não muda ao longo da vida.

A seguir falarei sobre as funções psíquicas de “percepcão”, ou seja, falarei sobre a sensação(S) e a intuição(N), também conhecidas como “funções irracionais”, e determina como “enxergamos” o mundo ao nosso redor.

Como é uma pessoa cuja função principal é a sensação? E a intuição? Como desenvolver melhor as potencialidades de cada função? Como trabalhar com o seu oposto? Caso a função dominante do meu coachee seja a sensação ou a intuição, qual a melhor forma de conduzir um processo de coaching?

Como identificar uma pessoa do tipo sensação?

  • Confiam nos seus cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato);
  • São determinados por “fatos e dados”, no que é concreto, no “ver para crer”;
  • Seu objetivo é no aqui-agora;
  • Gostam de exatidão e precisão;
  • São detalhistas;
  • Gostam de implementar, de realizar, de executar, de colocar a “mão na massa”;
  • Se sentem seguros com o que é conhecido, testado e aprovado;
  • São práticos e tem foco nos resultados;
  • Tendem a ser mais conservadores;
  • São realistas;
  • Seu lema pode ser “viva a vida como ela é”;

A melhor forma de abordar uma pessoa tipo sensação é apresentando seu método de trabalho, passo a passo, fornecendo os detalhes de cada etapa, oferecendo exemplos específicos e concretos, destacando os ganhos a serem perseguidos, mostrando quais os papéis e responsabilidades.

Ao longo do processo de coaching, lhe dê feedbacks constantes, pontuando os avanços conquistados por ele, com exemplos específicos.

Como explicado anteriormente, se a pessoa tem a função principal sensação, sua função inferior será a intuição, portanto, é importante que busque desenvolver características dessa função para familiarizar-se com ela, e com isso proporcionar um melhor equilíbrio:

  • Estimule seu coachee a fazer um curso ou exercitar a técnica de pensamento criativo ou brainstorming;
  • Sugira a ele que faça um planejamento a longo prazo, do tipo “onde desejo estar daqui a cinco anos e como chegarei lá”;
  • Proponha que faça um sumário executivo (de uma ou duas páginas) descrevendo as tendências e os padrões que os dados levantados por ele sugerem.
  • Peça que considere uma forma nova de realizar um trabalho;
  • Estimule a leitura de fábulas, contos infantis, e busque encontrar a metáfora associada, ou que reconte a história mantendo os mesmos personagens, mas com novos desfechos;
  • Sugira que assista propagandas criativas e busque entender o que está por trás da mensagem ou o que está escrito de forma sutil;
  • Se gostar de fotografia, proponha que tire fotos panorâmicas, onde o foco seja a paisagem geral e não um detalhe específico;
  • Estimule-o a imaginar usos distintos para objetos conhecidos;

Vamos agora às características da pessoa cuja função principal é a intuição:

  • Confiam no seu palpite, no seu sexto sentido;
  • São determinados por inspiração e imaginação;
  • Antecipam o futuro;
  • Focam no todo, no contexto;
  • Gostam de resolver problemas novos e complexos;
  • Enxergam tendências, novos padrões;
  • São estimulados pela mudança, pelo movimento;
  • São sonhadores e visionários;
  • Tendem a ter um raciocínio muito rápido, descobrem o final do filme muito antes de todos;
  • Seu lema pode ser “aberto a novas possiblidades”;

A melhor forma de abordar uma pessoa tipo intuição é expor de forma ampla o seu método de trabalho, sem focar nos detalhes, mas enfatizando os conceitos e tendências. Estimule-o com uso de metáforas e analogias, seja com o uso de materiais de apoio ou com perguntas durante as sessões, de forma a proporcionar uma agenda mais dinâmica e lúdica.

Quando tratar de um feedback enfatize as linhas gerais, as mudanças amplas observadas, e não gaste muito tempo nos detalhes de cada situação, senão ele perderá o interesse na sua fala e não manterá o foco

E como podemos ajudar uma pessoa com função principal intuição a desenvolver a sua função sensação?

  • Estimule-o a usar os seus cinco sentidos degustando um novo prato, descobrindo os sabores envolvidos, o aroma, a apresentação, a textura dos alimentos, vivenciando o momento presente;
  • Oriente-o a ouvir uma música e focar nos sons que está ouvindo, na letra, sem deixar a mente divagar para outro momento;
  • Incentive-o a levantar informações, detalhes que sustentem suas percepções;
  • Peça-lhe que analise a realidade como ela se apresenta, focando no aqui-agora, e pode até trabalhar uma planilha de orçamento pessoal;
  • Proponha que organize uma reunião entre amigos, com detalhes do que precisa ser providenciado, passo a passo, desde a escolha do lugar, decoração, participantes, o que será servido, etc;
  • Sugira que durante esta reunião entre amigos, observe os detalhes de todos os envolvidos, quais roupas e acessórios estão usando, como estão suas feições, quais sons estão presentes;
  • Caso tenha interesse em culinária, proponha que execute uma receita, seguindo todos os detalhes, medindo corretamente seus ingredientes, e seguindo o passo a passo;

Ressalto que não existe um tipo melhor ou pior, pois como podemos observar o mundo precisa de pessoas intuitivas, que identifiquem novas tendências, novas soluções, inovadoras e criativas, mas precisa também, de pessoas que consigam executar e colocar em prática essas idéias, para que elas saiam da imaginação e possam virar realidade.

É importante enfatizar que ambos os tipos sensação e intuição, como toda a teoria do Jung, possuem dois lados, um lado luz e um lado sombra, ou seja, uma pessoa tipo intuição, se não buscar desenvolver a sensação, corre o risco de “viver no mundo da lua”, e não realizará nada.

Da mesma forma, a pessoa tipo sensação, se não trabalhar a intuição, também corre o risco de ser uma pessoa presa à fazer “tudo sempre igual”, como na música Cotidiano do Chico Buarque.

Enfim, estas são as principais características das pessoas do tipo sensação(S)ou intuição(N)! Na próxima edição falarei sobre as funções pensamento(T) e sentimento(F)! Até lá!

(*) Texto publicado na 11a. edição(abril/14)  da Revista Coaching Brasil (www.revistacoachingbrasil.com.br)

Viajando por Saramandaia

Saramandaia

Saramandaia é uma novela escrita pelo Dias Gomes, cuja 1a.versão foi ao ar em 1976, e em junho deste ano foi lançado o remake com a adaptação do Ricardo Linhares.

Trata-se de uma obra escrita com os conceitos da escola literária denominada “realismo fantástico”, com a  finalidade de melhor expressar as emoções a partir de uma atitude específica frente à realidade, onde mostra o irreal ou estranho como algo cotidiano e comum. Uma das obras mais representativas deste estilo é Cem anos de solidão, do escritor e ganhador do prêmio nobel, Gabriel Garcia Márquez.

E com esse enfoque de evidenciar as emoções é que quero compartilhar aqui pensamentos que surgem na minha cabeça enquanto me delicio assistindo essa novela.
Entretanto, acredito que terei que fazer mais de um texto para explicitar minhas impressões, pois são muitos personagens e, consequentemente, muitas emoções envolvidas e evidenciadas, e como a novela está nos últimos capítulos vou tentar escrever sobre os principais personagens antes do seu término, pois acredito que tem grandes pontos que podem nos auxiliar no nosso autoconhecimento.

Neste texto gostaria de falar sobre o João Gibão, personagem do Sergio Guizé, que aparentemente tem uma corcunda que nunca é vista por ninguém, mas na verdade esconde um par de asas. E como se não bastassem as asas, Gibão ainda tem visões premonitórias, como se ele pudesse “voar para o futuro” e antever os acontecimentos.

Gibão sempre teve vergonha das suas asas, e sempre pediu para sua mãe que as podassem bem rentes, para que pudessem ser escondidas na roupa de couro que usa diariamente.

E nesse ponto eu me pergunto quantas vezes não temos características que nos diferencia dos demais, que poderiam nos fazer alçar vôos, romper barreiras, enxergar longe, ver o mundo por outro ângulo, e o que fazemos é nos boicotar, nos sentimos uma “aberração”, e lutamos contra, desejamos extirpar, quando o melhor seria perceber que possuímos um dom, que precisaríamos conhecer melhor, para desfrutar e usar com sabedoria no auxílio de nós mesmos e das outras pessoas.

Uma outra questão que está presente no Gibão é que ele gostaria de ser igual aos outros, sem nada que o diferenciasse, não percebendo que todos nós somos únicos, o que passa é que a singularidade do Gibão é mais evidente, mais exposta, mas todos temos nossas características que nos tornam únicos, e por isso mesmo, fascinantes! Não existe uma pessoa igual a outra nesse mundo, e hoje somos mais de 7 bilhões de pessoas habitando esse planeta, cada uma com seus dons, seus dilemas, suas qualidades e suas fragilidades!

Além das asas, Gibão tem as visões premonitórias, e talvez isso seja explicado pela sua amizade com um gavião, pois este animal tem uma visão privilegiada com uma resolução 8 vezes melhor que a do ser humano, o que nos leva a supor que as asas do Gibão o façam ter características semelhantes, e esse dom especial também lhe possibilite “ver coisas que ninguém mais vê’!

Nos últimos capítulos Gibão começou a aceitar seus dons, sobretudo suas asas, começando por não mais as aparar, e por consequência conseguiu se mostrar por inteiro para sua amada Marcina, que literalmente “ferve de amor” por ele, e com isso eles se entregaram totalmente ao amor que os une, de forma plena, sem disfarces, sem máscaras, e por isso mesmo foi tudo muito lindo e mágico.

E tanto a Marcina quanto o Dr.Rochinha (médico de Saramandaia) se mostraram maravilhados e emocionados quando viram as asas do Gibão, e isso também acontece conosco, quando tomamos consciência e deixamos fluir totalmente nossos dons, isso nos torna mais brilhantes e iluminados, causando encantamento nas pessoas à nossa volta.

Daria para viajarmos muito ainda pelos dons do Gibão, mas paro por aqui e deixo-lhes com a sua música tema, Pavão Misterioso, com o convite para que deixemos nossos dons florescerem na sua totalidade, para que possamos alçar vôo rumo a nossa essência, exercendo integralmente a nossa missão, e com isso sermos mais felizes! Um ótimo vôo pra você!

Pavão Misterioso – Ednardo

Pavão misterioso


Pássaro formoso


Tudo é mistério


Nesse teu voar


Ai se eu corresse assim


Tantos céus assim

Muita história


Eu tinha prá contar…

Pavão misterioso


Nessa cauda


Aberta em leque


Me guarda moleque


De eterno brincar


Me poupa do vexame


De morrer tão moço


Muita coisa ainda


Quero olhar…

Pavão misterioso


Pássaro formoso


Tudo é mistério


Nesse seu voar


Ai se eu corresse assim


Tantos céus assim


Muita história


Eu tinha prá contar…

Pavão misterioso


Pássaro formoso


No escuro dessa noite


Me ajuda, cantar


Derrama essas faíscas


Despeja esse trovão


Desmancha isso tudo, oh!


Que não é certo não…

Pavão misterioso

Pássaro formoso


Um conde raivoso


Não tarda a chegar


Não temas minha donzela


Nossa sorte nessa guerra


Eles são muitos

Mas não podem voar…

 

http://www.youtube.com/watch?v=y48jvHWvf40

Balanço de final de ano!

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Assim como a maioria das pessoas, eu também faço um balanço no final do ano, analiso as promessas ou metas que estabeleci, verifico quais foram cumpridas, quais foram deixadas de lado e quais foram adiadas. As metas cumpridas me deixam contentes, mas talvez as metas adiadas e as deixadas de lado sejam as que mais me ensinaram ao longo do ano.

Afinal, o bom da vida é que poucas coisas são de fato definitivas, e essa mudança, esse fluir é o mais interessante, pois se deixarmos que sejam incluídas outras possibilidades, novos ensinamentos, com outras prioridades estaremos enriquecendo a nossa vida, deixando viva a nossa existência!

E nesse dia 31 de dezembro de 2012, último dia do ano, é maravilhoso poder olhar para trás e ver que tivemos 365 dias diferentes, alguns muito felizes, outros nem tanto, mas todos distintos, pois nós nos modificamos a cada dia, aprendemos coisas novas e nos transformamos a cada amanhecer!

E nessa caminhada estamos sempre buscando a felicidade, mas quando conversamos ou lemos textos de pessoas sábias, entendemos que a felicidade não está em conquistar coisas, bens materiais, ou qualquer outra coisa, mas sim, está na descoberta da paz interior, na nossa comunhão com o Sagrado, com a nossa essência, com o Divino que habita em nós! Isso é estar em comunhão com Deus! E é essa a verdadeira felicidade, e pertence a nós, e não está associada a nada externo!

E é esse o meu desejo para você que me acompanhou nesse início de caminhada pelo blog “Conversas sem Censura”,  espero que você possa cada vez mais alimentar essa paz interior, dar voz a sua essência, deixar que o Divino se manifeste em você, independente da sua religião ou credo, pois me refiro a nossa fé, a nossa espiritualidade e nossa comunhão com o Sagrado!

E como presente de final de ano deixo uma poesia de um dos meus poetas favoritos, Vinicius de Moraes, reforçando o meu desejo que você vá atrás do que é verdadeiramente importante, a alegria de viver!…. FELIZ 2013!

Um Novo Dia

Vinicius de Moraes

Um novo dia vem nascendo
Um novo sol já vai raiar
Parece a vida, rompendo em luz
E que nos convida a amar

Oh, meu irmão, não desespera
Espera a luz acontecer
Para que a vida renasça em paz
Nesse novo amanhecer

Surgem as abelhas em zoeira a sugar o mel das flores gentis
Param as ovelhas pelo monte, a recordar os horizontes felizes
Vindo à distância cantam galos em longínquos intervalos de sons
Pombos revoando, vão uivando, vão passando nestes céus tão azuis

Ah, quanta cor e luz!

E o movimento vai crescendo
Vai aumentando em amplidão
Parece a vida pulsar no ar
O bater de um coração

Sobem pregões vindos da praça
Começa o povo a aparecer

Quem quer comprar neste novo dia
A alegria de viver?

O que tem por trás de um rótulo?

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Eu ontem fiquei fora de casa o dia todo e, à noite dei uma olhada nas notícias e me deparei com um trecho do seriado de TV Malhação que me chamou a atenção, pois tratava-se de uma gravação onde cada aluno tinha que ir pra frente da câmera e dizer todos os rótulos com os quais ele era identificado e ao final dizia a frase “ Eu sou mais que um rótulo!”.

Os adjetivos utilizados pelos alunos eram muito semelhantes ao que nós comumente rotulamos ou somos rotulados, e é claro com uma carga reducionista e preconceituosa, na maioria das vezes.

E, como eu escrevi na semana passada sobre os “Tipos Psicológicos”, baseados na teoria do Jung, achei prudente falar sobre rótulos! Não foi com o intuito de rotular ou reduzir as pessoas que o Jung desenvolveu essa teoria, muito pelo contrário, foi com o intuito de conhecer e descobrir potencialidades, o que precisa ser desenvolvido e trabalhado para equilibrar as várias funções psíquicas ao longo da vida.

Os “Tipos Psicológicos” são interessantes para que possamos mergulhar no nosso interior  e descobrir quais atitudes nos são mais próximas e, com as quais nos sentimos mais à vontade. Mas, o mais importante é confrontar e poder desenvolver as atitudes com as quais nos sentimos mais “desajeitadas” ou “inseguras”, pois esse é o grande desafio! Isso é autoconhecimento!

O autoconhecimento é maravilhoso, nos proporciona um crescimento, uma ampliação de consciência que é fantástica! Por outro lado, exige esforço, e muitas vezes é verdadeiramente difícil confrontar com o que temos de mais sombrio! Mas, essa descoberta é libertadora!

Eu tenho muito receio de rótulos, pois eles nem sempre são construtivos, mesmo sendo adjetivos positivos, pois eles podem esconder potencialidades mais amplas e que são simplificadas! E claro que, quando se trata de rótulos negativos a situação é ainda mais grave, pois pode limitar ainda mais uma pessoa, chegando a ser uma condenação!

Tem muita gente que quando recebe um rótulo se sente desafiado a contestá-lo, mas existe uma grande parcela que se resigna com o rótulo e faz tudo na vida para reforçá-lo e confirmá-lo, sem procurar desenvolver outras habilidades e competências.

Um outro aspecto que acho importante ressaltar é que podemos rotular o outro, mas esse rótulo pode significar muito mais uma característica nossa do que do outro, pois uma das formas do autoconhecimento acontecer é através da projeção que fazemos de nós mesmos nos outros!

Jung dizia: “Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a um conhecimento de nós mesmos”.

E podemos  nos irritar com atitudes positivas ou negativas do outro! Quantas vezes não falamos ou ouvimos alguém dizer “Fulano é bom demais!” e isso ser caracterizado como um demérito ao “Fulano”?

Nesse ponto eu questiono, será que o que vemos nos outros não é na verdade uma projeção do que somos? E pelo fato de não querermos ser assim rejeitamos o outro?

E eu queria ampliar essa discussão e, para tanto, queria deixar em aberto uma questão:

O que mais te irrita nas outras pessoas?

Se quiser pode escrever nos comentários a sua resposta ou podemos continuar essa conversa por email, e para tanto, é só enviar uma mensagem para lucianava@uol.com.br com o titulo Blog.

O nosso jeito de ver o mundo – Tipos Psicológicos

Assim é (Se lhe parece)”, titulo de uma peça de Luigi Pirandello, serve muito bem para o tema que quero escrever hoje, pois assim como na peça, existem várias maneiras de se enxergar ou analisar a realidade que se apresenta.

Embora tenhamos a tendência de acreditar que apenas a nossa forma de ver um determinado fato ou situação é a correta, não é bem assim; dependendo de algumas características individuais podemos perceber, julgar ou analisar os fatos de maneiras diversas.

Certamente você já viveu momentos onde vê uma situação de uma forma e a outra pessoa ao seu lado enxerga completamente diferente! Ou então, você já sentiu ou conviveu com pessoas que tem uma percepção aguçada, um “sexto sentido” de que algo vai dar certo ou vai dar errado? E ainda pode ter aquela pessoa que vai te relatar um cenário ou uma história e o faz com uma riqueza de detalhes impressionante! Tem também aquela pessoa que, sempre faz uma análise lógica e prática dos fatos que se apresentam, sem contar as que são muito emotivas e choram com facilidade vendo um filme ou escutando uma história.

Pois é… Essa variedade de personalidades pode ser explicada através do livro “Tipos Psicológicos”, fruto de estudo de mais de 20 anos e publicado em 1921, por Carl Gustav Jung, médico psiquiatra e fundador da psicologia analítica ou psicologia junguiana, onde mostra que a peculiaridade de cada um nos faz enxergar coisas de modo diferente, desenvolvendo opiniões e percepções dos fatos e da realidade totalmente diversas.

Afinal, quais são e como se diferenciam esses “Tipos Psicológicos”? O conhecimento a respeito desse tema tem qual serventia pra mim?

Inicialmente, Jung identificou que existem pessoas que colocam o foco e a sua energia no mundo, nas outras pessoas, nos objetos que estão fora, e essas pessoas são definidas como “extrovertidas”, e as pessoas que colocam o foco mais nas suas próprias idéias, nas suas reflexões internas, são definidas como “introvertidas”.

Embora, não queira dizer que sejamos sempre uma coisa ou outra, pois existem situações que mesmo um introvertido pode se posicionar como um extrovertido ou vice-versa. Mas, existe uma situação onde a pessoa se sente mais à vontade, onde funcionará o seu “piloto automático”.

Jung percebeu ainda que, existiam diferenças de posicionamento e atitudes mesmo entre as pessoas introvertidas e, ocorria a mesma coisa com as pessoas extrovertidas, e para diferenciá-las ele identificou “ 4 Funções Psíquicas”, sendo que elas são agrupadas em duplas:

  • Forma como PERCEBEMOS a realidade:
    • Sensação
    • Intuição
  • Forma como JULGAMOS a realidade:
    • Pensamento
    • Sentimento

As pessoas que percebem o mundo pela Sensação são as pessoas mais detalhistas, que utilizam os 5 sentidos para analisar o que está acontecendo ao seu redor, utilizam informações concretas, dados e fatos para entender a realidade, e são focadas no aqui e agora, no momento presente.

Já as pessoas do tipo Intuição são pessoas que percebem as coisas que estão no ar, tem pressentimentos de que algo vai bem ou mal, são mais abertas às novas possibilidades, e tem um olhar mais no futuro, em geral são pessoas visionárias.

As pessoas do tipo Pensamento são as que julgam o mundo através do intelecto, da objetividade, se fixam na lógica dos fatos.

E as pessoas do tipo Sentimento são as que julgam a realidade através dos seus valores pessoais, para elas algo é bom ou ruim segundo suas crenças, tem um foco maior nas relações e nos sentimentos envolvidos.

Em geral temos sempre 2 funções que são as mais desenvolvidas, sendo que uma é a função principal e a outra é a secundária auxiliar, o contra-ponto da secundária auxiliar será a terceira auxiliar e, a função oposta à principal é a função inferior (sombra), aquela com a qual temos a menor familiaridade.

Essas 4 funções podem ser combinadas com a introversão ou a extroversão.

No exemplo acima, temos a função Pensamento como dominante, então a função inferior será o Sentimento (que é o seu contra-ponto), e neste caso essa pessoa poderá ter dificuldade de lidar com as relações, com o sistema de crenças das outras pessoas, e também pode não se sentir à vontade para lidar com os próprios sentimentos.

Ainda conforme a figura acima, identificamos que a pessoa tem a função Intuição como segunda função auxiliar, ou seja, essa pessoa trabalha com a dinâmica e a objetividade dos fatos (função principal Pensamento), entretanto, tem também uma percepção aguçada, vê oportunidades onde outras pessoas podem não enxergar. Uma pessoa do tipo Pensamento-Intuição é uma pessoa que terá grandes chances de ser um empreendedor de sucesso, um executivo de alto escalão, uma pessoa que descobre novas oportunidades de negócio.

E, nesse ponto chegamos à 2a.questão que coloquei lá no início do texto: o conhecimento a respeito desse tema tem qual serventia pra mim?

Em primeiro lugar e, acredito o mais importante, é o autoconhecimento! Conhecer melhor quais são as suas funções dominantes pode inclusive auxiliá-lo na sua vida, nas suas relações com o mundo e na sua carreira profissional, pois poderá entender onde está a sua motivação, qual atividade que faz o seu “olho brilhar” de satisfação.

E quando aprofundamos nesse conhecimento identificamos o que precisamos desenvolver, aprimorar, e sabemos com o que temos que tomar cuidado, pois em situações estressantes a função que irá predominar será a  função inferior, e não estando bem trabalhada, funcionará como uma armadilha, e pode acontecer o que identificamos como sendo “o Fulano estava sob pressão e meteu os pés pelas mãos”!

Um outro ponto que julgo ser importante nesse conhecimento é que não estamos sozinhos nesse mundo, nos relacionamentos constantemente com as outras pessoas, e muitos dos conflitos que surgem nas relações, podem ter a sua origem na diferença de tipologia.

Por exemplo, uma pessoa que tem a função principal Sensação se relacionando com uma pessoa cuja função principal é a Intuição, poderá ter conflitos e dificuldades de relacionamento, pois uma vai querer informações, indicadores, dados concretos de que algo está acontecendo aqui e agora, enquanto a outra estará baseando a sua análise dos fatos em percepções, em pressentimentos, em coisas que não podem ser traduzidas em dados.

Num processo terapêutico por exemplo, o fato do terapeuta conhecer a tipologia do cliente é muito bom, pois a linguagem a ser utilizada será aquela que o cliente entende, funcionará como uma “porta de entrada”, ou seja, o terapeuta e o cliente estarão “falando a mesma língua”!

Um terapeuta Junguiano geralmente identifica a tipologia do seu cliente no decorrer das sessões, e poderá ajudá-lo a trabalhar as várias funções.

Pois o Jung ressalta, nós podemos mudar ao longo da nossa vida a nossa tipologia, seja através do autoconhecimento ou também das diversas situações que vivemos, e o ideal é que possamos desenvolver todas as funções ao longo da vida, buscando assim, um equilíbrio entre elas.

Existem hoje no mercado vários instrumentos que se propõe a fazer essa identificação, os mais conhecidos são o MBTI, o Insights Discovery e o Quati, são testes pagos que são utilizados por muitas empresas no entendimento e desenvolvimento das equipes.

Caso você tenha curiosidade de saber qual á a sua tipologia, poderá responder gratuitamente um questionário muito simplificado através do site http://inspiira.org/ e, caso queira responder o MBTI pode entrar em contato comigo através do email lucianava@uol.com.br

Se tiver interesse em entender com mais profundidade esse tema os artigos contidos nos links abaixo poderão auxiliá-lo:

http://www.jung-rj.com.br/artigos/tipos_psicologicos.htm

http://psicologia-cgjung.blogspot.com.br/2010/04/os-tipos-psicologicos.html

E, para que fique em paz, lembre-se que um mesmo fato pode conter sim várias realidades, e parafraseando novamente o Pirandello, “assim é se lhe parece”!

Amigos… qual é a medida exata deles ?

Intocáveis

Esta semana eu assisti um filme que me deixou profundamente sensibilizada, trata-se do filme francês “Intocáveis”, baseado numa história real e está na pré-lista para concorrer ao Oscar 2013 na categoria de filme estrangeiro. A essência do filme é a amizade que surge entre um milionário tetraplégico e seu cuidador, pessoas de mundos tão distintos, mas que souberam respeitar as limitações um do outro, e principalmente, souberam fazer emergir no outro, habilidades e potenciais adormecidos, ou até mesmo desconhecidos, simplesmente por acreditar verdadeiramente que a outra pessoa poderia ir além.

E amizade sempre foi um tema que tratei com muito carinho na minha vida, e agradeço `a Deus, pois me sinto verdadeiramente uma pessoa abençoada, porque sou privilegiada em ter amigos muito queridos, os quais eu amo “com paixão”, como diz minha sobrinha, e que souberam extrair habilidades que estavam adormecidas, e até mesmo eram desconhecidas por mim. E, quando me refiro aos amigos, tenho a alegria de incluir pessoas muito queridas da minha família, pois os meus irmãos e sobrinhos são meus amigos, eu posso dizer que tenho irmãos-amigos e amigos-irmãos! Isso é verdadeiramente uma dádiva!

Especialmente neste ano, que foi um ano de muita mudança na minha vida profissional, sem dúvida, os amigos foram e estão sendo fundamentais!

E eu sempre me pergunto se estou `a altura dos amigos que possuo, se dou `a eles a mesma atenção e carinho que eles dedicam `a mim, e nem sempre essa conta parece fechar!

Vale lembrar também, que hoje temos os chamados “amigos virtuais”, aqueles que foram conquistados nas redes sociais (facebook, linkedin, etc.), mas esses, na minha opinião,  merecem algumas ressalvas, porque temos os que sempre permanecerão na categoria de “conhecidos virtuais” e aqueles que se tornam verdadeiros amigos, onde o que os diferencia é simplesmente a forma com a qual nos comunicamos, pois estabelecemos um relacionamento onde todas as qualidades e os atributos de uma amizade estão presentes.

Mas, refletindo sobre essa “conta-corrente” do relacionamento com os nossos amigos surge uma questão, será que precisamos sempre fechar a conta? Podemos ficar devedores em alguns momentos e credores em outras? Ou melhor, existe uma conta corrente onde são creditados os “depósitos” que fazemos e os “saques” efetuados ao longo da vida? Acredito que chegaremos `a resposta de que amizade é algo muito maior, e certamente, não cabe nos limites de uma conta corrente, pois transcende esse mundo financeiro, faz parte dos “ativos intangíveis” que possuímos ao longo da nossa vida, pois não existe medida que possamos avaliar o peso e tamanho daquele amigo ao longo da nossa vida.

Uma outra coisa que penso é que temos os “amigos especializados”, os quais tem habilidades de nos acolher nas fases específicas ou dificuldades que enfrentamos, um amigo que habitualmente recorremos quando temos problemas no trabalho porque ele sabe como ninguém entender o contexto que estamos abordando, tem os amigos que sabem tratar dos temas afetivos com mais propriedade, existem os amigos que recorremos quando estamos com problemas familiares, e isso ficou muito evidente pra mim quando meus pais faleceram num intervalo de pouco mais de 7 meses, pois além dos vários amigos que me deram muito apoio, os meus irmãos foram amigos imprescindíveis porque sabiam e sentiam exatamente a mesma dimensão da minha dor.

Vale ressaltar que existem amigos que são um pouco mais “ generalistas”, com os quais discutimos diversos temas, mas todos são importantes para nos ajudar com o nosso crescimento, e neste ponto eu me lembro de uma frase do Paulo Gaudêncio que diz: “inimigo fala de mim, amigo fala para mim”, ou seja, um amigo é aquele que também sabe falar sobre nossos defeitos, das nossas limitações, coloca o “dedo na ferida”,  mas sempre de uma forma cuidadosa, com compaixão, com amorosidade, de forma respeitosa, contribuindo para que sejamos um ser humano melhor a cada dia.

E, embora eles sejam pessoas com as quais não conseguimos medir o tamanho do afeto que sentimos, devemos ter sempre em mente que é algo que não deve ser esquecido, muito pelo contário, deve ser cultivado, lembrado, acariciado, posto no colo, paparicado, e para isso, não são necessários muitos esforços não, pois é inerente ao papel do amigo que ele seja generoso para entender que nossa vida é corrida, que nem sempre temos a disponiblidade que gostaríamos de ter, enfim, amigo é aquele que nos recebe com os braços abertos e nos acolhe integralmente, independente se nos falamos ontem ou há muito tempo atrás, sem perder tempo com cobranças, pois isso desperdiçaria um tempo precioso, o qual pode ser gasto em boas risadas, com trocas de idéias gostosas, um tempo para uma conversa séria ou simplesmente amenidades, pelo simples prazer de falar com alguém muito querido!

Enfim, quanto mais refletirmos mais chegaremos a conclusão do quão imprescindíveis e valiosos são os nossos amigos, para os quais ainda não existe uma forma precisa de medí-los!

E deixo aqui uma música linda do Milton Nascimento que fala sobre o amigo http://www.youtube.com/watch?v=OlcQE4NeXow

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Comunicação Impressa x Digital – por Antonio Carlos Navarro

Ao analisar a evolução  no mundo desde que o homem passou a ser sapiens, nos deparamos com dados importantíssimos que nos levam a identificar os principais momentos que foram os divisores do desenvolvimento.

Um dos principais momentos, senão o mais importante, foi a criação do tipo móvel por  Gutenberg, na Alemanha,  por volta de 1450. Esse invento possibilitou a disseminação do conhecimento na reprodução de textos impressos que até então eram produzidos por escribas. Até essa data todo o conhecimento existente se concentrava em pouquíssimas pessoas e não era acessível pela grande maioria da população.

Steve Jobs não teria feito sucesso com suas criações não fosse o invento de Gutenberg, ele sim foi o Steve Jobs da época há 560 anos atrás.

Se pararmos para analisar e observar, veremos que os produtos impressos fazem parte diariamente de nossa vida . O dinheiro que nos remunera, o cartão de crédito que facilita as compras, o papel que embrulha o presente, a embalagem que protege o produto, a bula que orienta, o folheto que divulga, o jornal que informa, a revista que analisa, o livro que educa e diverte, o manual que ensina, todas essas e muitas outras ferramentas que graças a Gutenberg hoje podemos usufruir e que tornaram a nossa vida mais eficiente e divertida.

Na era da tecnologia digital, inúmeras são as sentenças lançadas por pseudos futurológos de que tudo isso acabará. Volto a reportar a história e nos lançamos ao início do século 20 onde o único veículo de comunicação existente era o jornal, na maioria, não diário. Entre as décadas de 1920 a 1930, com a invenção rádio, as mesmas figuras apareceram dizendo que com isso o jornal desapareceria. O mesmo fato ocorreu na década de 40 quando surgiu a televisão disseram que o rádio acabaria, e assim com todas as ferramentas da comunicação criadas posteriormente. Entretanto, todos coexistem até hoje!

Com o desenvolvimento da internet e dos meios digitais, surgiu o e-book. Decretaram, então, a extinção do livro impresso, sentença dada pelos mesmos futurólogos de plantão. No primeiro momento a novidade causou grande discussão e os adeptos da mídia eletrônica foram os primeiros a exaltar essa nova ferramenta. Grandes debates foram acontecendo, na feira de Frankfurt, na Bienal do Livro, seminários, workshops e tantos outros eventos, inclusive,  com ampla discussão na internet e nos grupos sociais.

Recentemente começaram a surgir os dados reais sobre o e-book. As últimas pesquisas detectaram que mais da metade dos leitores de e-books não eram frequentadores de livrarias. Em razão da facilidade e preço, passaram a consumi-los. O resultado disso é que muitos desse grupo passaram, então, a frequentar as livrarias, consequentemente ampliando o número de leitores de livros impressos. Editores e autores, principais atores da comunicação impressa, começam a se posicionar de forma mais aberta, sem contestar as novas tecnologias, adotando-as mas ao mesmo tempo reforçando mais ainda sua posição em relação ao livro impresso. Reconheceram, como era o esperado, que ambas são ferramentas de leitura e que estarão convivendo e coexistindo definitivamente, cada uma na escolha do leitor e na conveniência do editor.

Este texto foi uma excelente contribuição de Antonio Carlos Navarro, Diretor Executivo da LER Editora Ltda

Carência afetiva…algo crônico ou esporádico ?

Sempre fiz uma brincadeira com meus amigos homens dizendo-lhes que “homem carente é pleonasmo” !

Mas, olhando à minha volta percebo que não são apenas os homens que estão ou são carentes, e sim todos nós estamos carentes de algo em nossas vidas. E muitas vezes essa carência vem repleta de desejos, é múltipla, é multifacetada !

Acredito que, se olharmos para nós mesmos, nossos familiares e todas as pessoas com as quais nos relacionamos, encontraremos carências profundas e diversificadas em todos.

Será a carência o mal da modernidade ? Acredito que não, pois temos textos poéticos e filosóficos de anos que nos mostram que a carência já existia há séculos.

Entretanto, acho que a vida atual tem nos levado a atingir um grau de carência diferenciado, e estamos carentes das coisas mais simples, mas essenciais … do afeto materno ou paterno, ou mesmo carentes de termos mais tempo ao lado de nossos pais, de desfrutarmos da companhia deles, de termos a sua atenção e o seu aplauso em cada conquista nossa. E quem já passou pela dor de perder um ou ambos os pais, sabe a dor que a saudade nos causa e o quão carentes ficamos da presença deles em nossas vidas.

Os pais, por outro lado, estão carentes do carinho espontâneo e sincero dos filhos, pois os filhos estão tão envolvidos com a sua própria vida que esquecem que seus pais também precisam de atenção e cuidado. E, `as vezes, os pais querem apenas um tempo com seus filhos para uma conversa corriqueira sobre o dia a dia, nada muito especial. Eu escutei outro dia uma frase de uma mãe que me comoveu profundamente, ela disse: “perder um filho é uma dor inimaginável, mas perder um filho vivo é uma ferida enorme também”. Só de ouvir essa frase já sentimos a carência absurda que existe nesse coração materno.

Se temos irmãos sentimos carência do afeto, da convivência, da cumplicidade, das recordações, e se por outro lado não temos irmãos, sentimos carência por esse vazio que existe.

Estamos carentes de conversas francas, longas e profundas frente a frente com nossos amigos, ou até mesmo conversas bobas, mas que nos façam dar risadas, que levantem o nosso astral, pois hoje o que temos sãos conversas curtas e superficiais nas redes sociais ou pelo celular.

Ah, e os relacionamentos amorosos … Nesse quesito a carência está nas alturas, estamos carentes de afagos, de cafuné, de companheirismo, de cumplicidade, de dedicação, de ter com quem compartilhar as coisas sérias e as mais singelas, alguém que nos faça rir, que nos ensine e, também,  aprenda conosco coisas novas, alguém para namorar, dar beijo na boca.  Estamos sempre numa busca constante de encontrarmos a pessoa certa, mas sequer sabemos como é essa pessoa certa, ou até mesmo, se daremos conta dessa pessoa certa ! Tem um ditado popular que diz “quem não sabe o que procura quando vê não reconhece”.

Mas, o que podemos fazer para minimizarmos a nossa carência e a carência que nos cerca ?

Como preencher o vazio instalado pela carência ?

Será que poderíamos olhar com mais ternura e compaixão para as outras pessoas ?

Qual a nossa responsabilidade diante da carência que está estabelecida, seja nossa ou de quem nos cerca ?

Essas perguntas e, tantas outras, não tem uma resposta única e simples. Mas, acredito que uma forma de entendermos a dimensão da nossa carência, e quais os caminhos que temos para suprí-la e, até mesmo a resignificá-la, é através do autoconhecimento, e este pode acontecer de várias formas, seja pela psicoterapia, pela meditação, pela interpretação dos nossos sonhos, e outros caminhos que tenham como proposta o mergulho profundo na nossa essência, do nosso ser mais íntimo.

E, falando em autoconhecimento, deixo aqui uma frase que gosto muito do Carl G. Jung:

“Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”