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Qual é o seu perfil psicológico?

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De janeiro até julho deste ano escrevi uma série de artigos para a Revista Coaching Brasil sobre a teoria dos “Tipos Psicológicos” que foi publicada no livro “Tipos Psicológicos” do Carl Gustav Jung, psiquiatra suiço, em 1921.

Embora a teoria dos tipos psicológicos tenha sido publicada há quase um século, ela continua muito atual, e é cada vez mais difundida nas organizações e nos processos de coaching, pois é uma excelente ferramenta para o autoconhecimento, facilita a comunicação interpessoal, contribui com o desenvolvimento das equipes e com o fortalecimento das lideranças.

Para facilitar a leitura das matérias, incluí esse texto com os links para as todas as matérias, começando com a visão geral da tipologia, onde se aplica e seus benefícios, e depois um texto explicativo para cada componente do tipo psicologico (Extroversão/Introversão, Sensação/Intuição, Pensamento/Sentimento, Julgamento/Percepção), e por fim, um texto que faz uma correlação da tipologia com as carreiras afins:

Visão geral da teoria:  O ponto de vista de cada um 

Foco de energia: Tipos Psicológicos – Extroversão ou Introversão

Coleta de Informações: Tipos Psicológicos – Sensação ou Intuição

Tomada de decisão: Tipos Psicológicos – Pensamento ou Sentimento

Estilo de vida: Tipos Psicológicos – Julgamento ou Percepção

Tipologia & escolha da carreira: Tipos Psicológicos & Escolha da Carreira

Caso queira mais informações, ou tenha interesse em fazer o mbti para conhecer sua tipologia, entre em contato comigo através do email lucianava@uol.com.br.

O que tem por trás de um rótulo?

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Eu ontem fiquei fora de casa o dia todo e, à noite dei uma olhada nas notícias e me deparei com um trecho do seriado de TV Malhação que me chamou a atenção, pois tratava-se de uma gravação onde cada aluno tinha que ir pra frente da câmera e dizer todos os rótulos com os quais ele era identificado e ao final dizia a frase “ Eu sou mais que um rótulo!”.

Os adjetivos utilizados pelos alunos eram muito semelhantes ao que nós comumente rotulamos ou somos rotulados, e é claro com uma carga reducionista e preconceituosa, na maioria das vezes.

E, como eu escrevi na semana passada sobre os “Tipos Psicológicos”, baseados na teoria do Jung, achei prudente falar sobre rótulos! Não foi com o intuito de rotular ou reduzir as pessoas que o Jung desenvolveu essa teoria, muito pelo contrário, foi com o intuito de conhecer e descobrir potencialidades, o que precisa ser desenvolvido e trabalhado para equilibrar as várias funções psíquicas ao longo da vida.

Os “Tipos Psicológicos” são interessantes para que possamos mergulhar no nosso interior  e descobrir quais atitudes nos são mais próximas e, com as quais nos sentimos mais à vontade. Mas, o mais importante é confrontar e poder desenvolver as atitudes com as quais nos sentimos mais “desajeitadas” ou “inseguras”, pois esse é o grande desafio! Isso é autoconhecimento!

O autoconhecimento é maravilhoso, nos proporciona um crescimento, uma ampliação de consciência que é fantástica! Por outro lado, exige esforço, e muitas vezes é verdadeiramente difícil confrontar com o que temos de mais sombrio! Mas, essa descoberta é libertadora!

Eu tenho muito receio de rótulos, pois eles nem sempre são construtivos, mesmo sendo adjetivos positivos, pois eles podem esconder potencialidades mais amplas e que são simplificadas! E claro que, quando se trata de rótulos negativos a situação é ainda mais grave, pois pode limitar ainda mais uma pessoa, chegando a ser uma condenação!

Tem muita gente que quando recebe um rótulo se sente desafiado a contestá-lo, mas existe uma grande parcela que se resigna com o rótulo e faz tudo na vida para reforçá-lo e confirmá-lo, sem procurar desenvolver outras habilidades e competências.

Um outro aspecto que acho importante ressaltar é que podemos rotular o outro, mas esse rótulo pode significar muito mais uma característica nossa do que do outro, pois uma das formas do autoconhecimento acontecer é através da projeção que fazemos de nós mesmos nos outros!

Jung dizia: “Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a um conhecimento de nós mesmos”.

E podemos  nos irritar com atitudes positivas ou negativas do outro! Quantas vezes não falamos ou ouvimos alguém dizer “Fulano é bom demais!” e isso ser caracterizado como um demérito ao “Fulano”?

Nesse ponto eu questiono, será que o que vemos nos outros não é na verdade uma projeção do que somos? E pelo fato de não querermos ser assim rejeitamos o outro?

E eu queria ampliar essa discussão e, para tanto, queria deixar em aberto uma questão:

O que mais te irrita nas outras pessoas?

Se quiser pode escrever nos comentários a sua resposta ou podemos continuar essa conversa por email, e para tanto, é só enviar uma mensagem para lucianava@uol.com.br com o titulo Blog.

O nosso jeito de ver o mundo – Tipos Psicológicos

Assim é (Se lhe parece)”, titulo de uma peça de Luigi Pirandello, serve muito bem para o tema que quero escrever hoje, pois assim como na peça, existem várias maneiras de se enxergar ou analisar a realidade que se apresenta.

Embora tenhamos a tendência de acreditar que apenas a nossa forma de ver um determinado fato ou situação é a correta, não é bem assim; dependendo de algumas características individuais podemos perceber, julgar ou analisar os fatos de maneiras diversas.

Certamente você já viveu momentos onde vê uma situação de uma forma e a outra pessoa ao seu lado enxerga completamente diferente! Ou então, você já sentiu ou conviveu com pessoas que tem uma percepção aguçada, um “sexto sentido” de que algo vai dar certo ou vai dar errado? E ainda pode ter aquela pessoa que vai te relatar um cenário ou uma história e o faz com uma riqueza de detalhes impressionante! Tem também aquela pessoa que, sempre faz uma análise lógica e prática dos fatos que se apresentam, sem contar as que são muito emotivas e choram com facilidade vendo um filme ou escutando uma história.

Pois é… Essa variedade de personalidades pode ser explicada através do livro “Tipos Psicológicos”, fruto de estudo de mais de 20 anos e publicado em 1921, por Carl Gustav Jung, médico psiquiatra e fundador da psicologia analítica ou psicologia junguiana, onde mostra que a peculiaridade de cada um nos faz enxergar coisas de modo diferente, desenvolvendo opiniões e percepções dos fatos e da realidade totalmente diversas.

Afinal, quais são e como se diferenciam esses “Tipos Psicológicos”? O conhecimento a respeito desse tema tem qual serventia pra mim?

Inicialmente, Jung identificou que existem pessoas que colocam o foco e a sua energia no mundo, nas outras pessoas, nos objetos que estão fora, e essas pessoas são definidas como “extrovertidas”, e as pessoas que colocam o foco mais nas suas próprias idéias, nas suas reflexões internas, são definidas como “introvertidas”.

Embora, não queira dizer que sejamos sempre uma coisa ou outra, pois existem situações que mesmo um introvertido pode se posicionar como um extrovertido ou vice-versa. Mas, existe uma situação onde a pessoa se sente mais à vontade, onde funcionará o seu “piloto automático”.

Jung percebeu ainda que, existiam diferenças de posicionamento e atitudes mesmo entre as pessoas introvertidas e, ocorria a mesma coisa com as pessoas extrovertidas, e para diferenciá-las ele identificou “ 4 Funções Psíquicas”, sendo que elas são agrupadas em duplas:

  • Forma como PERCEBEMOS a realidade:
    • Sensação
    • Intuição
  • Forma como JULGAMOS a realidade:
    • Pensamento
    • Sentimento

As pessoas que percebem o mundo pela Sensação são as pessoas mais detalhistas, que utilizam os 5 sentidos para analisar o que está acontecendo ao seu redor, utilizam informações concretas, dados e fatos para entender a realidade, e são focadas no aqui e agora, no momento presente.

Já as pessoas do tipo Intuição são pessoas que percebem as coisas que estão no ar, tem pressentimentos de que algo vai bem ou mal, são mais abertas às novas possibilidades, e tem um olhar mais no futuro, em geral são pessoas visionárias.

As pessoas do tipo Pensamento são as que julgam o mundo através do intelecto, da objetividade, se fixam na lógica dos fatos.

E as pessoas do tipo Sentimento são as que julgam a realidade através dos seus valores pessoais, para elas algo é bom ou ruim segundo suas crenças, tem um foco maior nas relações e nos sentimentos envolvidos.

Em geral temos sempre 2 funções que são as mais desenvolvidas, sendo que uma é a função principal e a outra é a secundária auxiliar, o contra-ponto da secundária auxiliar será a terceira auxiliar e, a função oposta à principal é a função inferior (sombra), aquela com a qual temos a menor familiaridade.

Essas 4 funções podem ser combinadas com a introversão ou a extroversão.

No exemplo acima, temos a função Pensamento como dominante, então a função inferior será o Sentimento (que é o seu contra-ponto), e neste caso essa pessoa poderá ter dificuldade de lidar com as relações, com o sistema de crenças das outras pessoas, e também pode não se sentir à vontade para lidar com os próprios sentimentos.

Ainda conforme a figura acima, identificamos que a pessoa tem a função Intuição como segunda função auxiliar, ou seja, essa pessoa trabalha com a dinâmica e a objetividade dos fatos (função principal Pensamento), entretanto, tem também uma percepção aguçada, vê oportunidades onde outras pessoas podem não enxergar. Uma pessoa do tipo Pensamento-Intuição é uma pessoa que terá grandes chances de ser um empreendedor de sucesso, um executivo de alto escalão, uma pessoa que descobre novas oportunidades de negócio.

E, nesse ponto chegamos à 2a.questão que coloquei lá no início do texto: o conhecimento a respeito desse tema tem qual serventia pra mim?

Em primeiro lugar e, acredito o mais importante, é o autoconhecimento! Conhecer melhor quais são as suas funções dominantes pode inclusive auxiliá-lo na sua vida, nas suas relações com o mundo e na sua carreira profissional, pois poderá entender onde está a sua motivação, qual atividade que faz o seu “olho brilhar” de satisfação.

E quando aprofundamos nesse conhecimento identificamos o que precisamos desenvolver, aprimorar, e sabemos com o que temos que tomar cuidado, pois em situações estressantes a função que irá predominar será a  função inferior, e não estando bem trabalhada, funcionará como uma armadilha, e pode acontecer o que identificamos como sendo “o Fulano estava sob pressão e meteu os pés pelas mãos”!

Um outro ponto que julgo ser importante nesse conhecimento é que não estamos sozinhos nesse mundo, nos relacionamentos constantemente com as outras pessoas, e muitos dos conflitos que surgem nas relações, podem ter a sua origem na diferença de tipologia.

Por exemplo, uma pessoa que tem a função principal Sensação se relacionando com uma pessoa cuja função principal é a Intuição, poderá ter conflitos e dificuldades de relacionamento, pois uma vai querer informações, indicadores, dados concretos de que algo está acontecendo aqui e agora, enquanto a outra estará baseando a sua análise dos fatos em percepções, em pressentimentos, em coisas que não podem ser traduzidas em dados.

Num processo terapêutico por exemplo, o fato do terapeuta conhecer a tipologia do cliente é muito bom, pois a linguagem a ser utilizada será aquela que o cliente entende, funcionará como uma “porta de entrada”, ou seja, o terapeuta e o cliente estarão “falando a mesma língua”!

Um terapeuta Junguiano geralmente identifica a tipologia do seu cliente no decorrer das sessões, e poderá ajudá-lo a trabalhar as várias funções.

Pois o Jung ressalta, nós podemos mudar ao longo da nossa vida a nossa tipologia, seja através do autoconhecimento ou também das diversas situações que vivemos, e o ideal é que possamos desenvolver todas as funções ao longo da vida, buscando assim, um equilíbrio entre elas.

Existem hoje no mercado vários instrumentos que se propõe a fazer essa identificação, os mais conhecidos são o MBTI, o Insights Discovery e o Quati, são testes pagos que são utilizados por muitas empresas no entendimento e desenvolvimento das equipes.

Caso você tenha curiosidade de saber qual á a sua tipologia, poderá responder gratuitamente um questionário muito simplificado através do site http://inspiira.org/ e, caso queira responder o MBTI pode entrar em contato comigo através do email lucianava@uol.com.br

Se tiver interesse em entender com mais profundidade esse tema os artigos contidos nos links abaixo poderão auxiliá-lo:

http://www.jung-rj.com.br/artigos/tipos_psicologicos.htm

http://psicologia-cgjung.blogspot.com.br/2010/04/os-tipos-psicologicos.html

E, para que fique em paz, lembre-se que um mesmo fato pode conter sim várias realidades, e parafraseando novamente o Pirandello, “assim é se lhe parece”!

Carência afetiva…algo crônico ou esporádico ?

Sempre fiz uma brincadeira com meus amigos homens dizendo-lhes que “homem carente é pleonasmo” !

Mas, olhando à minha volta percebo que não são apenas os homens que estão ou são carentes, e sim todos nós estamos carentes de algo em nossas vidas. E muitas vezes essa carência vem repleta de desejos, é múltipla, é multifacetada !

Acredito que, se olharmos para nós mesmos, nossos familiares e todas as pessoas com as quais nos relacionamos, encontraremos carências profundas e diversificadas em todos.

Será a carência o mal da modernidade ? Acredito que não, pois temos textos poéticos e filosóficos de anos que nos mostram que a carência já existia há séculos.

Entretanto, acho que a vida atual tem nos levado a atingir um grau de carência diferenciado, e estamos carentes das coisas mais simples, mas essenciais … do afeto materno ou paterno, ou mesmo carentes de termos mais tempo ao lado de nossos pais, de desfrutarmos da companhia deles, de termos a sua atenção e o seu aplauso em cada conquista nossa. E quem já passou pela dor de perder um ou ambos os pais, sabe a dor que a saudade nos causa e o quão carentes ficamos da presença deles em nossas vidas.

Os pais, por outro lado, estão carentes do carinho espontâneo e sincero dos filhos, pois os filhos estão tão envolvidos com a sua própria vida que esquecem que seus pais também precisam de atenção e cuidado. E, `as vezes, os pais querem apenas um tempo com seus filhos para uma conversa corriqueira sobre o dia a dia, nada muito especial. Eu escutei outro dia uma frase de uma mãe que me comoveu profundamente, ela disse: “perder um filho é uma dor inimaginável, mas perder um filho vivo é uma ferida enorme também”. Só de ouvir essa frase já sentimos a carência absurda que existe nesse coração materno.

Se temos irmãos sentimos carência do afeto, da convivência, da cumplicidade, das recordações, e se por outro lado não temos irmãos, sentimos carência por esse vazio que existe.

Estamos carentes de conversas francas, longas e profundas frente a frente com nossos amigos, ou até mesmo conversas bobas, mas que nos façam dar risadas, que levantem o nosso astral, pois hoje o que temos sãos conversas curtas e superficiais nas redes sociais ou pelo celular.

Ah, e os relacionamentos amorosos … Nesse quesito a carência está nas alturas, estamos carentes de afagos, de cafuné, de companheirismo, de cumplicidade, de dedicação, de ter com quem compartilhar as coisas sérias e as mais singelas, alguém que nos faça rir, que nos ensine e, também,  aprenda conosco coisas novas, alguém para namorar, dar beijo na boca.  Estamos sempre numa busca constante de encontrarmos a pessoa certa, mas sequer sabemos como é essa pessoa certa, ou até mesmo, se daremos conta dessa pessoa certa ! Tem um ditado popular que diz “quem não sabe o que procura quando vê não reconhece”.

Mas, o que podemos fazer para minimizarmos a nossa carência e a carência que nos cerca ?

Como preencher o vazio instalado pela carência ?

Será que poderíamos olhar com mais ternura e compaixão para as outras pessoas ?

Qual a nossa responsabilidade diante da carência que está estabelecida, seja nossa ou de quem nos cerca ?

Essas perguntas e, tantas outras, não tem uma resposta única e simples. Mas, acredito que uma forma de entendermos a dimensão da nossa carência, e quais os caminhos que temos para suprí-la e, até mesmo a resignificá-la, é através do autoconhecimento, e este pode acontecer de várias formas, seja pela psicoterapia, pela meditação, pela interpretação dos nossos sonhos, e outros caminhos que tenham como proposta o mergulho profundo na nossa essência, do nosso ser mais íntimo.

E, falando em autoconhecimento, deixo aqui uma frase que gosto muito do Carl G. Jung:

“Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”